Ouvimos diariamente sobre as dificuldades em lidar com o chefe ou os desafios de se liderar uma equipe. No entanto, do meu ponto de vista observatório, o que mais incomoda e gera angústia é lidar com o colega ao lado. Nóssenhora! Como isso incomoda, tira o sono e o sossego de tanta gente!
Percebo que em termos de treinamento e conhecimento para lidar com isso, o máximo a que temos acesso é a técnicas de comunicação e, mesmo assim, fica difícil aplicar já que você não tem poder nenhum sob ou sobre aquele ser que muitas vezes você enxerga como ameaça.
Vejo esta relação como aquela em que há dois bixos na floresta, cada um tentando defender seu território e sobreviver à selva. Eles se encontram. Se olham. E é melhor rosnar e mostrar seu lado perigoso a estender a mão ofertando ajuda e arriscar perder a mão. Ou o pescoço (ui!!).
Como ouvi uma vez, parente e colega de trabalho não escolhemos. Então, precisamos aprender a lidar com essa ameaça que, se souber ser trabalhada, pode ser um aliado e quiçá um grande amigo.
Pessoalmente, passei por este perrengue de ter um colega representando séria ameaça apenas uma vez. Foi muito sério e me tirou do eixo. Inicialmente, achei que o problema fosse só comigo mas, olhando mais a fundo, as questões e desconfortos gerados por esta pessoa eram gerais. Datavam de muitos anos antes de eu entrar na empresa, inclusive. Um caso crônico.
A questão era tão profunda que já havia várias pessoas que, tendo sido vítimas deste ser, se precaviam, afastavam e viam cada pequeno movimento da pessoa como “um passo de seu plano diabólico para dominar o mundo”. Uma verdadeira neura!! E, como sou humana e detesto ter o meu na reta, comprei o pacote da teoria da conspiração. “Msns” e mensagens eram enviadas, tentando decodificar cada passo da besta-fera, terços e novenas eram rezados pelo bem de sua alma (e de nosso emprego) e muita, muita fofoca!
Quando me vi saindo de minha mesa e trancando tudo com medo de sua espionagem, gritei “PÁRA!! PÁRA TUDOOO!!!”. Aquilo não era vida. Ao mesmo tempo que nos apavorávamos, a pessoa cobrava nosso afeto. Era daquele tipo grudento, “você precisa me amar”, que elege a cada época um “amiguinho” e, quando este não quer mais brincar, a pessoa joga tudo no ventilador.
Mesmo assim, acredito que não vale à pena entrar neste coletivo de piração. Quando fui literalmente questionada pela pessoa-ameaça com um “você gosta de mim???”, foi a deixa para clarificar a situação. Disse que gostava da pessoa (o que era verdade), mas não confiava. Não menti. Não fui rude. Falei com clareza, citando todas as situações em que a confiança foi quebrada.
Mal entendidos entre pessoas nas empresas acontecem todos os dias. Acredito que a utilização da conversa entre dois ou da conversa mediada seja uma chance para acabar com isso, ajudar alguns a se situarem, alinhar expectativas e reafirmar o compromisso profissional.
Hoje esta pessoa ainda é minha colega. Mas conseguimos nos respeitar e fazer o setor crescer.
Pessoal: escritório não é pista corrida, não é jardim da infância. A tal competição saudável que dizem existir entre colegas só existirá se pelo menos dois estiverem correndo.
Se não quer competir, seja maduro, não corra, não tropece e não atravesse o caminho do outro. Continue no seu caminho e compare-se a você mesmo. Caso um esteja atravessando o outro, sente, delimite as linhas e continuem. Quem sabe, de mãos dadas.