Lembro bem o que minha mãe disse quando comentei o quão inteligente, generoso, bom gestor e competente era o meu chefe: “Minha filha…aproveite!! Pois provavelmente será o único chefe bom em sua vida toda! Um chefe bom é tão raro quanto um diamante!” .
Juro por Deus que quis me desvincular desta saga, esta praga…Mas, como a maioria sabe, praga de mãe peeega! Maldita! (praga, não a minha mãe, claro!) E até hoje, as palavras dela reverberam em minha vida profissional. Já são 14 anos e apenas por 4 deles tive “o melhor chefe do mundo” que hoje é um amigo querido.
Será que não tem gente boa o suficiente? Ou será um problema de formação, de berço talvez? Poderia ficar aqui, divagando sobre isto mas vou preferir falar sobre…
LEIS BÁSICAS PARA SOBREVIVER A UMA CHEFIA INCOMPETENTE Quando você depende só dela para subir ou sair ou precisa se segurar naquele lugar por mais um tempinho
1 – A hora certa de falar
Com certeza você, humilde mortal, já se viu em uma situação em que aquele ser, o seu chefe, demonstra habilidades de uma marmota para resolver uma questão e em que você ficou sem saber se ele estava escondendo o jogo (sendo estratégico, talvez) ou se não sabia realmente resolver a questão.
Se o caso foi o primeiro, ok, as coisas podem se ajustar. Mas se você tem certeza de que ele não sabe o que fala, fica a segunda dúvida: ele quer que você demonstre que sabe mais que ele ou não?
Fique atento! Os mais afobados podem querer resolver ou responder prontamente à questão, falar pelo chefe que não consegue se expressar direito à Diretoria da empresa, dar um pontapé nele por debaixo da mesa, etc.
Calma! Uma pessoa realmente competente não mostra apenas conhecimento técnico ou verbal mas também uma sabedoria que vai mais além: ela sabe que não sabe de tudo. Se o chefe quiser realmente que você fale em uma situação, ele te mostrará isto de alguma forma.
Caso não mostre e a questão seja realmente importante, se exponha mas com cuidado para que ele não perceba que está sendo melhor que ele naquela questão. Os demais, certamente, perceberão.
Se a questão não for importante, deixe quieto. Há momentos em que é melhor calar e não vale à pena se expor só para mostrar que sabe. Questão de sabedoria (sua) que deve ser aprimorada.
2 – Pergunte até o limite (dele)
Alguns chefes gostam de ser questionados, apreciam que seus “sub-ordinados” demonstrem interesse por suas decisões, pelo andamento dos processos, que sejam ativos e pensadores. Chegam até (vejam só!!) a perguntar o que achamos. Momento, aliás, de sublime emoção em que nos sentimos realmente importantes (como é baixa a auto-estima dos subordinados!).
Outros não gostam de ser questionados. É a maioria.
Sendo assim, cuidado com as perguntas. Alguém que não está seguro de sua decisão não gosta de ser questionado e, principalmente, sente-se extremamente ameaçado quando isto acontece.
Saiba perguntar e tente ao máximo tirar o quesito julgamento do que está perguntando.
Não pergunte por email. Nunca!!!
Quando alguém que você não aprova, foi promovido, evite perguntar “Mas por que ele foi promovidoooo????”. Prefira: “Ah…ele foi promovido?” com sobrancelhas levemente arqueadas e o ar de naturalidade de quem diz “O balcão da recepção vai mudar de lugar?”.
Se ele quiser explicar, vai dizer sim e o porquê. Se não quiser, só dirá sim. E contente-se com isto.
3 – E se ele perguntar o que você acha da decisão dele?
Caso você considere que foi uma boa decisão, não deixe de enfatizar o que achou e embase. Não mele. Puxa-saquismo exala seu cheiro à distância. Seja profissional, objetivo.
Caso você não tenha concordado….weeeelllllll….Comece com “Weeellll…” e ganhe tempo. Este é um terreno minado. Fique atento e tenha personalidade de dizer o que pensa, mas de uma forma suave.
Parece difícil? É um pouco. Mas com prática você chega lá.
Fale pausadamente, escolha palavras suaves e evite soltar os cachorros por esta e todas as outras péssimas decisões que ele tomou e que até um deficiente mental tomaria.
À medida que você fala, preste atenção à expressão facial dele. Se for de tranqüilidade, prossiga lentamente, sempre respirando. Se ele franzir o cenho, enverede por outra seara e encerre com um “Tomar uma decisão dessas não é fácil. O seu lugar realmente requer uma responsabilidade imensa” e assim recoloque-o novamente em seu troninho de pequeno poder e o deixe pensar que está seguro.
Por último – talvez não seja o lugar para você. Talvez seja a sua vez!Pois é. Falar mal dos outros e julgar quem chegou onde você não chegou é fácil! “Chegar lá” são outros quinhentos. Caso sinta que, olhando sob este aspecto, ele realmente possui mais predicados que você, então permaneça, observe e aprenda. Mesmo que ele não seja perfeito – e ninguém o é – ele poderá ensinar muito.
Mas se realmente você está convencido de que sabe muito mais e que sua atuação está limitada, tire seu destino das mãos de alguém incompetente e assuma a liderança da sua vida. Mude de emprego, abra sua empresa, cresça e se responsabilize por você. Caso consiga isto, já será um grande passo para não se tornar o personagem de um texto como este.