Mas sobre o que mesmo é esta reunião?!?

Faz mais ou menos umas duas semanas, fui convocada para uma reunião com nome estranho. Sabe quando o nome diz algo mas, ao mesmo tempo, para você não diz nada pois não sabe o que aquele nome representa? Se você ficou confuso com a minha colocação, já ajuda, pois foi exatamente assim que eu fiquei quando recebi a convocação e também durante boa parte da reunião.

A reunião, marcada para as 10h00 atrasa. Você chega às 10h e só você e mais um gato pingado estão em frente à sala marcada. Os que convocaram mesmo deveriam ter algo super urgente para fazer e estão dando só mais cinco minutinhos para ver se chega mais alguém. Aliás, vou até anotar aqui e este tópico virará mais um post.

O mediador da reunião começa com um discurso de construção em conjunto sobre a coisa tal, assunto da reunião (meu Deus, sobre o que mesmo eles querem falar??). Anuncia que não preparou nenhuma pauta (como assim????) e que aquilo será um brainstorming (e seguem mais milhares de terminhos como gap, target e outros manjados em inglês).

Ele próprio, mediador, em seu “breve” discurso introdutório, introduz um outro assunto, discorre sobre ele por cerca de 10 minutos e acrescenta que, ok, este assunto é importante mas não é o foco daquela reunião.

(Começo a desenhar na agenda. Aperfeiçoo minha técnica de flores e cubinhos. Enfio um cubinho sobre o outro, emendo cubos, faço em 3D. Olho para frente e disfarço minha total certeza de que não pertenço àquele lugar).

Eu ainda não conheço o foco. Faço alguma idéia do que ele considerou o desvio do foco. Tento me lembrar de quando minha mãe comentava que eu era ótima para identificar a situação, sintetizar, objetivar e ir direto ao ponto mas algo me diz que se eu for direto ao ponto e perguntar “mas qual mesmo é o objetivo desta reunião?” vou acabar desencadeando mais uns 20 minutos de explicação gaguejada.

Silencio. Ouço mais um pouco um dos participantes. Faço uma colocação. Da colocação surge uma demanda, uma tarefa, todos ficam felizes. Passam mais 20 minutos até que tenham certeza de que mais nada há a ser falado. Terminam a reunião tendo a considerado um sucesso e eu ainda não descobri qual era o objetivo da mesma.

Chegou a um lugar. Mas era prá lá mesmo que queríamos ir?

“Oh!!! Uma ladeira!!!”

Este vídeo me diz muito e o divido com vcs. Primeiramente, eu também adoro correr e vejo na corrida um forte paralelo com a vida. Antes de sair correndo, só via prazer nas coisas prazeirosas por si: aquelas que não dão trabalho para se obter…é só deleite!

Com a corrida, encontrei prazer na superação, em vencer meus limites e só comparar meu desempenho de hoje com o meu de ontem.

Além disso, como a menina do filme diz, se você vir uma ladeira e enxergá-la como um obstáculo, corre o risco de parar e desistir de passar a linha de chegada. Mas se vc se apaixonar pelo desafio, ele poderá se tornar muito prazeiroso e chegar lá terá um sabor a mais!

Confesso que as ladeiras ainda me assustam. Mas tento, a cada dia, olhar para elas de forma diferente: elas nos fortalecem, aumentam a capacidade de ter oxigênio, nos levam a lugares mais altos e assim, nos tornam mais altos que elas próprias!

Depreciação Profissional

E vocês que acham que a depreciação só acontece na sua casa ou no seu carro, não é?! Infelizmente, você mesmo, sua carreira, seus conhecimentos podem estar se depreciando tanto ou mais que seus bens materiais.

E como isso pode acontecer?! É bem fácil. Assim como a poeira que se acumula sobre móveis, como a tinta que desgasta, basta não fazer nada e a coisa começa a depreciar.

Um belo dia você é contratado por uma empresa até que legal, com um salário de acordo e eles querem que você exerça tarefa XYZ; “fácil!” pensa você. Isso você faz de trás para frente, de frente para trás!!

E lá vai você realizando as mesmas tarefas por um, dois, três anos e mais nenhum desafio chega à sua frente exigindo que tire a poeira sobre aquelas habilidades que você tinha tão bem desenvolvidas. Pode ser falar inglês, pensar estrategicamente, bolar soluções…O fato é que você realiza a mesma coisa. Até melhora a sua habilidade em fazer aquilo. Mas é só.

Chega outro belo dia e a empresa que só quer que você realize a tarefa XYZ te promove já que você está craque. A pergunta é: A promoção paga a sua depreciação?

Se você quiser voltar para o mercado, candidatar-se a outras funções, será que você não estará realmente valendo menos do que quando entrou? Pense bem: o seu salário pode até ser maior. Mas você, como profissional e até como pessoa, pode estar valendo menos.

A busca por esta manutenção é sua. Pode ser através de cursos, de contatos profissionais extras, de trabalhos voluntários.

Busque! Não páre. Se a empresa não exige que você desenvolva seu inglês porque não há necessidade do mesmo no dia a dia, não deixe de desenvolvê-lo por fora. Mantenha-se inteiro, questione-se sobre sua real capacidade e levante para encontrar e desenvolver suas potencialidades. Novamente, seja responsável por você.

Mesmo que você esteja em um local que “te esqueceu num canto do armário”, levante-se e saia. Há luz do lado de fora.

Promoção é bom?!

Pois é. Um belo dia seu chefe chega e diz “Tenho boas notícias! Você será promovido! Consegui que a tão sonhada promoção fosse aprovada!”. Humildemente vc diz “obrigada”. Ele acrescenta que agora você terá que trabalhar mais para ‘pagar’ sua promoção…você diz que sim, claro, mesmo querendo falar que já está mais que paga graças ao resultado que seu setor deu nos últimos meses. Sai da sala.Você não se sente muito animado. Aí vem a pergunta “Mas eu não deveria estar feliz?!?!”.

Pois é. Depois de 6 anos na ‘firma’, eu recebi minha primeira promoção e não me sinto muito animada por vários motivos: primeiro que demorou muito, segundo que já penso seriamente em sair. Terceiro porque veio acompanhado de “agora vc precisa trabalhar mais” quando gostaria imensamente que fosse “Você realmente merece. Veio tarde, aliás.”.

Me sinto como alguém que lutou em uma batalha de 20 anos atrás, não foi reconhecida na época e depois de muito tempo resolvem te dar uma medalha MAS…pedem que vc vá para um estágio no Iraque de seis meses só para ter certeza de que você realmente merece o tal reconhecimento.

Tirando a questão financeira que é super legal, a promoção nada mais é mesmo que um reconhecimento. Ela reconhece que vc tem condições de subir de cargo, que você faz por merecer. Portanto, chefes, atenção! Quando promoverem, já que é tão difícil conseguir isso, promovam enfatizando o quão importante é a pessoa e seu trabalho. Não percam a oportunidade!Eu queria mesmo estar bem mais feliz. Vou trabalhar isso na minha cabeça e tentar melhorar minha visão sobre a promoção. Pensar que, caso eu não consiga sair da empresa, eu vou ter mais grana para realizar meus sonhos.Mas, por enquanto, sinto que é mais, bem mais o que eu quero…(e só depende de mim).

O Colega do Lado

Ouvimos diariamente sobre as dificuldades em lidar com o chefe ou os desafios de se liderar uma equipe. No entanto, do meu ponto de vista observatório, o que mais incomoda e gera angústia é lidar com o colega ao lado. Nóssenhora! Como isso incomoda, tira o sono e o sossego de tanta gente!

Percebo que em termos de treinamento e conhecimento para lidar com isso, o máximo a que temos acesso é a técnicas de comunicação e, mesmo assim, fica difícil aplicar já que você não tem poder nenhum sob ou sobre aquele ser que muitas vezes você enxerga como ameaça.

Vejo esta relação como aquela em que há dois bixos na floresta, cada um tentando defender seu território e sobreviver à selva. Eles se encontram. Se olham. E é melhor rosnar e mostrar seu lado perigoso a estender a mão ofertando ajuda e arriscar perder a mão. Ou o pescoço (ui!!).

Como ouvi uma vez, parente e colega de trabalho não escolhemos. Então, precisamos aprender a lidar com essa ameaça que, se souber ser trabalhada, pode ser um aliado e quiçá um grande amigo.

Pessoalmente, passei por este perrengue de ter um colega representando séria ameaça apenas uma vez. Foi muito sério e me tirou do eixo. Inicialmente, achei que o problema fosse só comigo mas, olhando mais a fundo, as questões e desconfortos gerados por esta pessoa eram gerais. Datavam de muitos anos antes de eu entrar na empresa, inclusive. Um caso crônico.

A questão era tão profunda que já havia várias pessoas que, tendo sido vítimas deste ser, se precaviam, afastavam e viam cada pequeno movimento da pessoa como “um passo de seu plano diabólico para dominar o mundo”. Uma verdadeira neura!! E, como sou humana e detesto ter o meu na reta, comprei o pacote da teoria da conspiração. “Msns” e mensagens eram enviadas, tentando decodificar cada passo da besta-fera, terços e novenas eram rezados pelo bem de sua alma (e de nosso emprego) e muita, muita fofoca!

Quando me vi saindo de minha mesa e trancando tudo com medo de sua espionagem, gritei “PÁRA!! PÁRA TUDOOO!!!”. Aquilo não era vida. Ao mesmo tempo que nos apavorávamos, a pessoa cobrava nosso afeto. Era daquele tipo grudento, “você precisa me amar”, que elege a cada época um “amiguinho” e, quando este não quer mais brincar, a pessoa joga tudo no ventilador.

Mesmo assim, acredito que não vale à pena entrar neste coletivo de piração. Quando fui literalmente questionada pela pessoa-ameaça com um “você gosta de mim???”, foi a deixa para clarificar a situação. Disse que gostava da pessoa (o que era verdade), mas não confiava. Não menti. Não fui rude. Falei com clareza, citando todas as situações em que a confiança foi quebrada.

Mal entendidos entre pessoas nas empresas acontecem todos os dias. Acredito que a utilização da conversa entre dois ou da conversa mediada seja uma chance para acabar com isso, ajudar alguns a se situarem, alinhar expectativas e reafirmar o compromisso profissional.

Hoje esta pessoa ainda é minha colega. Mas conseguimos nos respeitar e fazer o setor crescer.

Pessoal: escritório não é pista corrida, não é jardim da infância. A tal competição saudável que dizem existir entre colegas só existirá se pelo menos dois estiverem correndo.

Se não quer competir, seja maduro, não corra, não tropece e não atravesse o caminho do outro. Continue no seu caminho e compare-se a você mesmo. Caso um esteja atravessando o outro, sente, delimite as linhas e continuem. Quem sabe, de mãos dadas.

LEIS DE SOBREVIVÊNCIA

Lembro bem o que minha mãe disse quando comentei o quão inteligente, generoso, bom gestor e competente era o meu chefe: “Minha filha…aproveite!! Pois provavelmente será o único chefe bom em sua vida toda! Um chefe bom é tão raro quanto um diamante!” .

Juro por Deus que quis me desvincular desta saga, esta praga…Mas, como a maioria sabe, praga de mãe peeega! Maldita! (praga, não a minha mãe, claro!) E até hoje, as palavras dela reverberam em minha vida profissional. Já são 14 anos e apenas por 4 deles tive “o melhor chefe do mundo” que hoje é um amigo querido.

Será que não tem gente boa o suficiente? Ou será um problema de formação, de berço talvez? Poderia ficar aqui, divagando sobre isto mas vou preferir falar sobre…

LEIS BÁSICAS PARA SOBREVIVER A UMA CHEFIA INCOMPETENTE  Quando você depende só dela para subir ou sair ou precisa se segurar naquele lugar por mais um tempinho

1 – A hora certa de falar

Com certeza você, humilde mortal, já se viu em uma situação em que aquele ser, o seu chefe, demonstra habilidades de uma marmota para resolver uma questão e em que você ficou sem saber se ele estava escondendo o jogo (sendo estratégico, talvez) ou se não sabia realmente resolver a questão.

Se o caso foi o primeiro, ok, as coisas podem se ajustar. Mas se você tem certeza de que ele não sabe o que fala, fica a segunda dúvida: ele quer que você demonstre que sabe mais que ele ou não?

Fique atento! Os mais afobados podem querer resolver ou responder prontamente à questão, falar pelo chefe que não consegue se expressar direito à Diretoria da empresa, dar um pontapé nele por debaixo da mesa, etc.

Calma! Uma pessoa realmente competente não mostra apenas conhecimento técnico ou verbal mas também uma sabedoria que vai mais além: ela sabe que não sabe de tudo. Se o chefe quiser realmente que você fale em uma situação, ele te mostrará isto de alguma forma.

Caso não mostre e a questão seja realmente importante, se exponha mas com cuidado para que ele não perceba que está sendo melhor que ele naquela questão. Os demais, certamente, perceberão.

Se a questão não for importante, deixe quieto. Há momentos em que é melhor calar e não vale à pena se expor só para mostrar que sabe. Questão de sabedoria (sua) que deve ser aprimorada. 

2 – Pergunte até o limite (dele)

Alguns chefes gostam de ser questionados, apreciam que seus “sub-ordinados” demonstrem interesse por suas decisões, pelo andamento dos processos, que sejam ativos e pensadores. Chegam até (vejam só!!) a perguntar o que achamos. Momento, aliás, de sublime emoção em que nos sentimos realmente importantes (como é baixa a auto-estima dos subordinados!).

Outros não gostam de ser questionados. É a maioria.

Sendo assim, cuidado com as perguntas. Alguém que não está seguro de sua decisão não gosta de ser questionado e, principalmente, sente-se extremamente ameaçado quando isto acontece.

Saiba perguntar e tente ao máximo tirar o quesito julgamento do que está perguntando.

Não pergunte por email. Nunca!!!

Quando alguém que você não aprova, foi promovido, evite perguntar “Mas por que ele foi promovidoooo????”. Prefira: “Ah…ele foi promovido?” com sobrancelhas levemente arqueadas e o ar de naturalidade de quem diz “O balcão da recepção vai mudar de lugar?”.

Se ele quiser explicar, vai dizer sim e o porquê. Se não quiser, só dirá sim. E contente-se com isto. 

3 – E se ele perguntar o que você acha da decisão dele?

Caso você considere que foi uma boa decisão, não deixe de enfatizar o que achou e embase. Não mele. Puxa-saquismo exala seu cheiro à distância. Seja profissional, objetivo.

Caso você não tenha concordado….weeeelllllll….Comece com “Weeellll…” e ganhe tempo. Este é um terreno minado. Fique atento e tenha personalidade de dizer o que pensa, mas de uma forma suave.

Parece difícil? É um pouco. Mas com prática você chega lá.

Fale pausadamente, escolha palavras suaves e evite soltar os cachorros por esta e todas as outras péssimas decisões que ele tomou e que até um deficiente mental tomaria.

À medida que você fala, preste atenção à expressão facial dele. Se for de tranqüilidade, prossiga lentamente, sempre respirando. Se ele franzir o cenho, enverede por outra seara e encerre com um “Tomar uma decisão dessas não é fácil. O seu lugar realmente requer uma responsabilidade imensa” e assim  recoloque-o novamente em seu troninho de pequeno poder e o deixe pensar que está seguro.  

Por último – talvez não seja o lugar para você. Talvez seja a sua vez!Pois é. Falar mal dos outros e julgar quem chegou onde você não chegou é fácil! “Chegar lá” são outros quinhentos. Caso sinta que, olhando sob este aspecto, ele realmente possui mais predicados que você, então permaneça, observe e aprenda. Mesmo que ele não seja perfeito – e ninguém o é – ele poderá ensinar muito.

Mas se realmente você está convencido de que sabe muito mais e que sua atuação está limitada, tire seu destino das mãos de alguém incompetente e assuma a liderança da sua vida. Mude de emprego, abra sua empresa, cresça e se responsabilize por você. Caso consiga isto, já será um grande passo para não se tornar o personagem de um texto como este.